Foi
num belo dia como outro qualquer que eu o conheci. Parecia um ser humano
diferente de todos os outros. Tinha um ar um tanto angelical. Mas naquele mesmo
dia, chovia tanto que eu não conseguia enxergar seu brilho. Só depois de ouvir
sua voz foi que eu resolvi chamá-lo para entrar.
Como sabia meu nome? Como sabia do que eu
gosto? Quem era ele? Eu não precisei perguntar. Porque logo depois de vê-lo
entrar em minha casa eu acordei desse sonho imensamente horrível.
- Ah... Droga. Esse sonho de novo. – Depois
de coçar a minha cabeça, o que me restava era acordar de vez e andar até o
banheiro. – Preguiça...
Meu nome é Mayumi Toshiko. Minha mãe me
chama só de Yumi, e meu pai... Bem, ele é um caso à parte, porque quando não
está trabalhando resolve me chamar de Toshiko mesmo.
Não sei por que minha mãe resolveu colocar
esse nome em mim. Já que quando eu nasci ela tinha lá seus dezenove anos e meu
pai era só um garoto imprestável que não sabia o que fazer. Agora, ela é uma
mulher de trinta e cinco anos (muito enxuta, aliás) que paquera praticamente
todos os meus supostos amigos.
Eu tenho dezesseis anos e deixo meus cabelos
crescerem desde o nascimento. Por isso eles chegam lá pra depois da cintura.
Sendo que são lisos e lindos. Pelo menos eu gosto deles. Já pra o lado do
corpo, sou magra e alta. Desajeitada como uma garça. Mas ainda consigo
sobreviver no meu quarto.
Depois de tomar banho desci para a cozinha
atrás de algo para comer. Minha mãe estava lá sentada comendo um pão. Assim que
eu cheguei, ela mal tinha engolido metade do alimento, e olhou pra mim com um
rosto assassino.
- Não me diga que você vai treinar hoje? –
Eu perguntei. A mulher na minha frente simplesmente acenou a cabeça. E eu já
sabia o que estava pra acontecer. Simplesmente me preparei e ela me deu um
chute muito forte, que eu consegui defender logo que atingiu meus braços. –
Está melhorando, mãe.
- Obrigada. - Ela nunca tinha me chutado tão forte.
Depois de agradecer, sentou-se na mesa (não na cadeira, na mesa mesmo) e ficou
olhando pra a janela. – Faz dois dias que o Takeshi não volta. O que deve ter
acontecido?
- E eu é que sei? – Respondi com meu
sanduíche na boca. – A minha única dúvida, é o porquê de você ter que treinar
toda semana.
- Eu já tenho lá meus trinta e cinco anos
Yumi... – Agora ela se virou para mim e sentou na cadeira. – E você sabe bem
que não posso ficar com cara de velha.
- E pra não ficar com cara de velha tem que
bater na filha pra ela ficar com cara
de velha?
- Exatamente! – Depois daquele sorriso
sincero, só me restava a escola.
- Estou saindo! – Me despedi e saí porta
afora.
O mundo é uma coisa mágica. Você olha para o
céu e não sabe realmente se isso é como estar num globo mágico. Todo mundo já
sabe que o planeta é redondo, mas o céu às vezes parece reto demais.
O que eu vivia me perguntando era se existia
alguma vida além de nós. Se por um acaso eu tinha alguma chance de me
relacionar com outros seres que não fossem animais. Algum tipo de
extraterrestre. Minha pergunta foi respondida mais tarde. Mas isso eu conto
depois.
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