sexta-feira, 22 de junho de 2012

Angel Hearts - A Chegada (01)


Foi num belo dia como outro qualquer que eu o conheci. Parecia um ser humano diferente de todos os outros. Tinha um ar um tanto angelical. Mas naquele mesmo dia, chovia tanto que eu não conseguia enxergar seu brilho. Só depois de ouvir sua voz foi que eu resolvi chamá-lo para entrar.
   Como sabia meu nome? Como sabia do que eu gosto? Quem era ele? Eu não precisei perguntar. Porque logo depois de vê-lo entrar em minha casa eu acordei desse sonho imensamente horrível.
   - Ah... Droga. Esse sonho de novo. – Depois de coçar a minha cabeça, o que me restava era acordar de vez e andar até o banheiro. – Preguiça...
   Meu nome é Mayumi Toshiko. Minha mãe me chama só de Yumi, e meu pai... Bem, ele é um caso à parte, porque quando não está trabalhando resolve me chamar de Toshiko mesmo.
   Não sei por que minha mãe resolveu colocar esse nome em mim. Já que quando eu nasci ela tinha lá seus dezenove anos e meu pai era só um garoto imprestável que não sabia o que fazer. Agora, ela é uma mulher de trinta e cinco anos (muito enxuta, aliás) que paquera praticamente todos os meus supostos amigos.
   Eu tenho dezesseis anos e deixo meus cabelos crescerem desde o nascimento. Por isso eles chegam lá pra depois da cintura. Sendo que são lisos e lindos. Pelo menos eu gosto deles. Já pra o lado do corpo, sou magra e alta. Desajeitada como uma garça. Mas ainda consigo sobreviver no meu quarto.
   Depois de tomar banho desci para a cozinha atrás de algo para comer. Minha mãe estava lá sentada comendo um pão. Assim que eu cheguei, ela mal tinha engolido metade do alimento, e olhou pra mim com um rosto assassino.
   - Não me diga que você vai treinar hoje? – Eu perguntei. A mulher na minha frente simplesmente acenou a cabeça. E eu já sabia o que estava pra acontecer. Simplesmente me preparei e ela me deu um chute muito forte, que eu consegui defender logo que atingiu meus braços. – Está melhorando, mãe.
   - Obrigada. - Ela nunca tinha me chutado tão forte. Depois de agradecer, sentou-se na mesa (não na cadeira, na mesa mesmo) e ficou olhando pra a janela. – Faz dois dias que o Takeshi não volta. O que deve ter acontecido?
   - E eu é que sei? – Respondi com meu sanduíche na boca. – A minha única dúvida, é o porquê de você ter que treinar toda semana.
   - Eu já tenho lá meus trinta e cinco anos Yumi... – Agora ela se virou para mim e sentou na cadeira. – E você sabe bem que não posso ficar com cara de velha.
   - E pra não ficar com cara de velha tem que bater na filha pra ela ficar com cara de velha?
   - Exatamente! – Depois daquele sorriso sincero, só me restava a escola.
   - Estou saindo! – Me despedi e saí porta afora.
   O mundo é uma coisa mágica. Você olha para o céu e não sabe realmente se isso é como estar num globo mágico. Todo mundo já sabe que o planeta é redondo, mas o céu às vezes parece reto demais.
   O que eu vivia me perguntando era se existia alguma vida além de nós. Se por um acaso eu tinha alguma chance de me relacionar com outros seres que não fossem animais. Algum tipo de extraterrestre. Minha pergunta foi respondida mais tarde. Mas isso eu conto depois.

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