sexta-feira, 22 de junho de 2012

Angel Hearts - A Chegada (02)


A escola não é um lugar em que eu possa dizer que tenho paz. Pois é lá que acontece a pior parte da minha vida. E era lá que eu havia chegado quando encontrei no portão principal a garota mais rica da cidade e também a mais (digamos) cobiçada.
   Agora vou dar uma pausa na história para explicar uma coisa. Toda vez que aparece a garota mais linda do colégio, mais cobiçada, e tudo mais, tem sempre alguém pra que sofra com ela. Bom, há uma coisa errada na minha história, diferente de qualquer série normal que você já tenha lido ou assistido.
   Continuando: A garota se chama Milly. Tem cabelos pretos perfeitos, enrolados e tão sedosos e macios... É da mesma idade que eu e mora num local isolado do resto da população mais pobre da cidade. De qualquer maneira, é uma riquinha que não é patricinha.
   Quando me aproximei ela veio falar comigo (como sempre):
   - Bom dia Yumi! – Milly tem um sorriso lindo.
   - Milly. – E eu respondi parecido com um garoto.
   - Vai precisar de alguma coisa hoje? – Digamos que essa pergunta é vital para você entender o porquê de ela estar tão gentil.
   - Não. Hoje estou sem fundos. Além disso, acho que consigo sobreviver o resto do mês. – Mais uma vez eu respondi meio envergonhada. A garota continuou.
   - Bem... Já que você não quer. Está bem. Mas se precisar de mim, é só me procurar novamente. E não conte nada sobre isso a ninguém. – A ultima frase parecia uma ameaça.
   - Pode deixar... – Dessa vez eu respondi como eu mesma.
   - Vamos entrar então?
   - Sim.
   O que você deve saber é que a Milly é extremamente rica por culpa de ser filha do chefe da máfia. Sim, esse é o ponto. Eu entrei em negócios de proteção com ela. Exatamente por culpa do que iria acontecer logo em seguida, depois que entrei no colégio.
   Fui recebida logo no pátio por uma equipe de três garotos e uma garotinha rebelde que me atiraram uma série de bexigas cheias de água. Meus livros molharam-se completamente. Logo depois percebi que Milly já estava dentro da escola, com seus fãs a protegendo. Bom, sem dinheiro para pagar a proteção, só me resta aceitar as idiotices dos alunos.
   Todos que viram a cena começaram a dar risada. Eu nunca tinha sido atingida por nenhuma das quatro pessoas daquele dia. Parece até que eles usam uma tática de revezamento. Mas, a meu ver, a escola inteira tem algo contra mim.
   Quando cheguei à sala os dois primeiros horários já haviam acabado, e eu espirrava intensamente, pois o tempo estava frio e eu tinha tomado um banho do lado de fora do colégio. A professora me olhou com um rosto nada amigável por eu estar trajando a roupa da educação física, mas pelo menos estava seca.
   Depois de vinte minutos de aula, e de muito espirrar, a professora resolveu se mexer:
   - Saúde. – Ela disse.
   - Obrigada. – Eu respondi mais uma vez fungando.
   - Esse barulho é realmente irritante.
   - Me desculpe professora, mas eu não poderia perder a aula e...
   - Você está doente. Que droga você quer da vida? Morrer? – Ela não olhava pra mim. Só escrevia e continuava a falar,  enquanto os meus colegas de sala riam.
   - Não... É que os exames estão chegando e...
   - E você precisa ir para casa. – Me calei por um momento. Depois voltei a falar.
   - Está bem. Eu vou pra casa por estar gripada e por atrapalhar a aula. – Abaixei a cabeça como sempre e comecei a arrumar minhas coisas. Nesse momento jogaram uma bola de papel na cabeça da professora. Eu estava de costas para ela, e a figura se virou.
   - QUEM FEZ ISSO?! – A professora explodiu. Eu a olhei assustada por não saber quem foi o autor. – Mayumi! Você está suspensa! Por três dias! Vou queixar-me ao diretor.
   - Mas eu...
   - Não importa! – Ela realmente não parecia estar de bom humor.
   - Está bem. – Abaixei a minha cabeça e saí espirrando.
   - Saúde! – Todos na sala disseram e começaram a rir de mim, enquanto eu saía. Sinceramente, eu não sabia por que continuava a viver.

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