A
escola não é um lugar em que eu possa dizer que tenho paz. Pois é lá que
acontece a pior parte da minha vida. E era lá que eu havia chegado quando
encontrei no portão principal a garota mais rica da cidade e também a mais
(digamos) cobiçada.
Agora vou dar uma pausa na história para
explicar uma coisa. Toda vez que aparece a garota mais linda do colégio, mais
cobiçada, e tudo mais, tem sempre alguém pra que sofra com ela. Bom, há uma
coisa errada na minha história, diferente de qualquer série normal que você já tenha lido ou
assistido.
Continuando: A garota se chama Milly. Tem
cabelos pretos perfeitos, enrolados e tão sedosos e macios... É da mesma idade
que eu e mora num local isolado do resto da população mais pobre da cidade. De
qualquer maneira, é uma riquinha que não é patricinha.
Quando me aproximei ela veio falar comigo
(como sempre):
- Bom dia Yumi! – Milly tem um sorriso
lindo.
- Milly. – E eu respondi parecido com um
garoto.
- Vai precisar de alguma coisa hoje? –
Digamos que essa pergunta é vital para você entender o porquê de ela estar tão
gentil.
- Não. Hoje estou sem fundos. Além disso,
acho que consigo sobreviver o resto do mês. – Mais uma vez eu respondi meio
envergonhada. A garota continuou.
- Bem... Já que você não quer. Está bem. Mas
se precisar de mim, é só me procurar novamente. E não conte nada sobre isso a
ninguém. – A ultima frase parecia uma ameaça.
- Pode deixar... – Dessa vez eu respondi
como eu mesma.
- Vamos entrar então?
- Sim.
O que você deve saber é que a Milly é
extremamente rica por culpa de ser filha do chefe da máfia. Sim, esse é o
ponto. Eu entrei em negócios de proteção com ela. Exatamente por culpa do que
iria acontecer logo em seguida, depois que entrei no colégio.
Fui recebida logo no pátio por uma equipe de
três garotos e uma garotinha rebelde que me atiraram uma série de bexigas
cheias de água. Meus livros molharam-se completamente. Logo depois percebi que
Milly já estava dentro da escola, com seus fãs a protegendo. Bom, sem dinheiro
para pagar a proteção, só me resta aceitar as idiotices dos alunos.
Todos que viram a cena começaram a dar
risada. Eu nunca tinha sido atingida por nenhuma das quatro pessoas daquele
dia. Parece até que eles usam uma tática de revezamento. Mas, a meu ver, a
escola inteira tem algo contra mim.
Quando cheguei à sala os dois primeiros
horários já haviam acabado, e eu espirrava intensamente, pois o tempo estava
frio e eu tinha tomado um banho do lado de fora do colégio. A professora me
olhou com um rosto nada amigável por eu estar trajando a roupa da educação
física, mas pelo menos estava seca.
Depois de vinte minutos de aula, e de muito
espirrar, a professora resolveu se mexer:
- Saúde. – Ela disse.
- Obrigada. – Eu respondi mais uma vez fungando.
- Esse barulho é realmente irritante.
- Me desculpe professora, mas eu não poderia
perder a aula e...
- Você está doente. Que droga você quer da
vida? Morrer? – Ela não olhava pra mim. Só escrevia e continuava a falar, enquanto os meus colegas de sala riam.
- Não... É que os exames estão chegando e...
- E você precisa ir para casa. – Me calei
por um momento. Depois voltei a falar.
- Está bem. Eu vou pra casa por estar
gripada e por atrapalhar a aula. – Abaixei a cabeça como sempre e comecei a
arrumar minhas coisas. Nesse momento jogaram uma bola de papel na cabeça da
professora. Eu estava de costas para ela, e a figura se virou.
- QUEM FEZ ISSO?! – A professora explodiu.
Eu a olhei assustada por não saber quem foi o autor. – Mayumi! Você está
suspensa! Por três dias! Vou queixar-me ao diretor.
- Mas eu...
- Não importa! – Ela realmente não parecia
estar de bom humor.
- Está bem. – Abaixei a minha cabeça e saí
espirrando.
- Saúde! – Todos na sala disseram e
começaram a rir de mim, enquanto eu saía. Sinceramente, eu não sabia por que
continuava a viver.
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